A atividade é uma “caça ao tesouro” de materiais que variam entre metais e objetos valiosos que são retirados do submerso da Lagoa dos Patos e das areias.

Você sabia que algumas praias do município de São Lourenço do Sul são exploradas por praticantes da atividade de detectorismo? Seja como hobby ou profissão, os detectoristas realizam a “caça ao tesouro” de diferentes objetos na Lagoa dos Patos, que variam desde metais contaminantes e nocivos, até objetos valiosos e antigos, como peças de ouro e moedas históricas.

Na manhã desta terça-feira (17), o detectorista, Emerson Medeiros da Silva, residente do município de Pelotas, compareceu na Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio (SMTIC) de São Lourenço do Sul para participar de uma reunião com o secretário, Luis Carlos Citrini Braga e, com o coordenador de Indústria e Comércio, Paulo Rafael Xavier Duarte.

No encontro, Medeiros contou sobre o trabalho social que realiza em grupo com a sua família, em toda a Lagoa e, informou que o município de São Lourenço do Sul é contemplado semanalmente com a atividade, que acontece em todas as estações do ano, para que a área de banho das praias fique mais limpa e segura para a população.

“Eu tenho uma bolsinha, que serve para colocar todo o material que é retirado. Algumas coisas a gente acaba deixando nas lixeiras, mas muita coisa, como 90% do material que a gente tira é lixo. Eu cavo uns 200 buracos por dia para cada item e, a cada 200 tem uma coisa boa. Às vezes acontece de tirarmos duas ou três peças boas, como uma aliança, mas no geral é lixo”, conta.

Além da água, o profissional destacou que o grupo também realiza a busca por materiais nas areias das praias e, afirmou que após o buraco ser aberto e a busca concluída, a equipe imediatamente recobre a superfície da areia.

Conforme informações de Emerson, o trabalho é feito com a água batendo até a altura do peito, com o auxílio de uma máquina à prova d’água que é própria para achar e detectar o material e, de uma peneira específica, a qual coleta, sacode e tira o material dos buracos que a equipe cria no submerso da Lagoa.

“Eu vou com a água até o peito, no máximo e, uso a máquina que é à prova d’água. Ela (máquina) acha e detecta o metal pelo barulho e, uso uma peneira que é toda furadinha para pegar o objeto, sacudir e retirar”, diz.

Ainda, o detectorista informa que o equipamento pode detectar os materiais até um metro de profundidade, porém, ressalta que nesse nível a atividade se complica, devido ao tamanho do buraco que tem que ser aberto. “Se é um objeto grande pega até um metro, mas a gente consegue identificar no máximo de trinta a quarenta centímetros. Na água já é horrível às vezes tirar quinze centímetros, imagina ficar cavando e criando um buraco enorme”, ressalta.

Ao falar sobre a dúvida que sempre ouve das pessoas, Silva evidencia que todos os buracos que são criados dentro da Lagoa, são cobertos pela mesma, em um período de no máximo três horas.

“A gente faz o buraco de vinte centímetros e é só contar que em duas horas a própria água já ‘tapa’, às vezes quando tu volta já não tem mais. No veraneio a gente procura ir mais a tardinha para não atrapalhar o pessoal e evitar que alguma criança chegue perto, então, quando a gente faz de noite é certo que de manhã não tem buraco nenhum, mas de noite a gente faz no verão”, complementa.

Por fim, Emerson disse que gostaria também de realizar a atividade na praia do Camping Municipal e, para que isso seja possível, a Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio preparou um pedido de autorização para o coordenador do local.

Por, Larissa Schneid Bueno