Piranhas-vermelhas avançam pelo RS, chegam ao Guaíba e podem atingir Lagoa dos Patos

Piranhas-vermelhas avançam pelo RS, chegam ao Guaíba e podem atingir Lagoa dos Patos

Com a chegada do calor e baixos níveis de chuva, a piranha-vermelha (Serrasalmus Maculatus), peixe agressivo típico da bacia do Rio Uruguai, atravessou o Rio Grande do Sul, chegou ao Guaíba e pode atingir municípios banhados pelo Rio dos Sinos e pela Lagoa dos Patos, alertam autoridades da área ambiental.

A piranha-vermelha, também chamada de palometa, é comum na região da bacia do Rio Uruguai, em cidades como Uruguaiana e Rosário do Sul. Em novembro do ano passado, esse peixe invadiu, possivelmente por meio de lavouras de irrigação, a bacia do Rio Jacuí, que banha cidades como Cachoeira do Sul e Rio Pardo.

Há baixíssima possibilidade de morder banhistas e maior risco de desequilíbrio do ecossistema e de prejuízo a pescadores — palometas costumam comer outros peixes quando capturadas em redes de arrasto. Em uma colônia de ribeirinhos de General Câmara, a proliferação de piranhas-vermelhas fez com que a pesca diária de 20 kg por pescador caísse para 2 kg, segundo a Revista Globo Rural.

Maurício Vieira de Souza, analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), aponta que, até o momento, o órgão já foi informado sobre a ocorrência da piranha-vermelha enquanto invasora nos municípios de Santa Margarida do Sul (Rio Vacacaí), Restinga Seca, Rio Pardo, Cachoeira do Sul, Santa Cruz do Sul, General Câmara, Vale Verde, São Jerônimo (Rio Jacuí) e Estrela (Rio Taquari). 

No entanto, autoridades agora identificaram o peixe também na Bacia do Guaíba, próximo a Barra do Ribeiro, o que indica que o animal passou por Porto Alegre, afirma o diretor do Departamento de Biodiversidade da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-RS), Diego Melo Pereira, que participa das discussões para monitoramento da espécie — quem coordena as ações é o Ibama, autarquia federal.

— Essa espécie ocorria na bacia do Rio Uruguai e, quando se desloca à bacia do Rio Jacuí, gera uma espécie de desequilíbrio no ecossistema. Se ele veio do Rio Jacuí e se estabeleceu na Barra do Ribeiro, na ida para Viamão, com certeza circulou por Porto Alegre — diz Pereira.

De acordo com Souza, ainda não chegou oficialmente até o Ibama um registro de que os animais tenham sido avistados na Capital. Porém, ele ressalta que não é algo improvável, já que as palometas se espalharam pela bacia hidrográfica e não há barreiras para que elas alcancem outros afluentes das bacias do Jacuí, Guaíba, Lagoa dos Patos, entre outras:

— Os animais estão se espalhando, é o processo biológico deles, e nós como seres humanos não conseguimos controlar. Não havia chegado essa informação (das piranhas em Porto Alegre) para nós, mas isso só agrega a escala do problema.

Preocupada com a situação, a Defesa Civil de Cachoeira do Sul, onde as palometas estão mais concentradas, entrevistou pescadores da região para um relatório, divulgado no fim de setembro. A análise mostrou que 70% dos peixes continham ovas — portanto, estavam em condições de reprodução. 

Não houve relatos de mordidas em humanos ou prejuízo financeiro a pescadores, mas o documento mostra que quase 25% das piranhas-vermelhas pescadas por ribeirinhos da cidade tinha mais de 20 centímetros. 

“A presença de espécie invasora com captura em pontos e recursos hídricos distintos e já com maturação sexual se caracteriza por um dano ambiental que deverá ser avaliado à devida proporção de desequilíbrio ambiental”, diz o documento. 

Fonte: GZH.

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